Novos elementos do poder marítimo brasileiro: O meio ambiente e a ciência como estratégias geopolíticas
Nuevos elementos del poder marítimo brasileño: El medioambiente y la ciencia como estrategias geopolíticas
DOI:
https://doi.org/10.14198/geogra.30607Palabras clave:
Poder marítimo, UNCLOS, Meio Ambiente, Geopolítica, Cadeia Vitória-TrindadeResumen
A delimitação jurídica dos espaços marítimos é um processo relativamente recente, consolidado sobretudo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), que estabeleceu parâmetros para a definição das fronteiras marítimas e ampliou as possibilidades de atuação dos Estados costeiros em diferentes dimensões — política, econômica e estratégica. O Brasil aderiu de forma célere a essa lógica ao criar, em 1989, o Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (LEPLAC), cujo objetivo principal foi fundamentar, por meio de estudos técnicos e científicos, a extensão de seus limites para além das 200 milhas náuticas previstas pela convenção. Em 2004, o país apresentou à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) sua primeira solicitação, posteriormente dividida em três regiões: Sul, Equatorial e Oriental/Meridional. As duas primeiras foram aprovadas, mas a terceira — foco desta pesquisa — segue pendente de deliberação, apesar das atualizações encaminhadas em 2015 e 2018. Nesse contexto, este artigo busca examinar como o Brasil vem mobilizando ciência, diplomacia e preservação ambiental na região da Cadeia Vitória-Trindade como instrumentos estratégicos para reforçar sua presença no Atlântico Sul, mesmo sem o reconhecimento formal de suas reivindicações. Assim, evidencia-se o Brasil como caso relevante para analisar as transformações no debate teórico sobre o poder marítimo e sua aplicação prática, consolidando-se como a principal potência regional em ascensão.
Citas
Albrecht, T., Tsetsos, K., & Grunwald, P. (2021). Concept of sea power. In A. Sookermany (Ed.), Handbook of military sciences. Springer.
Andrade, A., Beirão, A., Hillebrand, G., & Queiroz, F. (2023). Geopolítica do Atlântico Sul, vigilância e defesa da Amazônia Azul. In Pêgo, A., Nagamine, L., Krüger, C., & Moura, R. (Eds.), Fronteiras do Brasil: O litoral em sua dimensão de fronteira. Ipea.
Azevedo, D., & Ribeiro, R. (2024). Expedições, excursões e trabalhos de campo no entendimento geográfico. Boletim Goiano de Geografia, 44(1).
Baracuhy, B. (2021). Os fundamentos da geopolítica clássica: Mahan, Mackinder, Spykman. FUNAG.
Borile, G., & Calgaro, C. (2019). Geopolítica ambiental e a dimensão internacional da proteção do meio ambiente. Revista Culturas Jurídicas, 6(13), 208–225.
Brasil. Estado-Maior da Armada. (2020). Plano estratégico da Marinha 2040. Cabrera, D., & Quiroz, A. (2022). La zona económica exclusiva: El papel geopolítico de la Corte Internacional de Justicia en los casos Perú–Chile y Nicaragua–Colombia (2001–2014). Geopolítica(s), 13(1), 83–113.
Chiozzo, V. (2018). Diplomacia naval: Instrumento de política externa no mar. Revista Marítima Brasileira, 138(2), 31–42.
Choi, Y. (2017). The blue economy as governmentality and the making of spatial rationalities. Dialogues in Human Geography, 7(1), 37–41.
Corbett, J. (1911). Some principles of maritime strategy. Longmans, Green & Co.
Cunha, M. (1988). O conceito de zona econômica exclusiva na Convenção sobre o Direito do Mar: Perspectivas e novas responsabilidades para os Estados do terceiro mundo. Revista Marítima Brasileira, 108(2), 99–107.
Cruz, D., & Sousa, A. (2023). Teorias geopolíticas: Sea power, Heartland e Rimland. In E. Sposito & G. Claudino (Eds.), Teorias na geografia: Mundos possíveis. Editora Consequência.
Dodds, K. (2010). Flag planting and finger pointing: The Law of the Sea, the Arctic and the political geographies of the outer continental shelf. Political Geography, 29, 63–73.
Dunn, K. (2021). Engaging interviews. In L. Hay & M. Cope (Eds.), Qualitative research methods in human geography. Oxford University Press.
Giraut, F., & Houssay-Holzschuch, M. (2016). Place naming as dispositif: Toward a theoretical framework. Geopolitics, 21.
Gough, B. (1988). Maritime strategy: The legacies of Mahan and Corbett as philosophers of sea power. The RUSI Journal, 133(4), 55–62.
Guilfoyle, D., & Chan, E. (2022). Lawships or warships? Coast guards as agents of (in)stability in the Pacific and South and East China Sea. Marine Policy, 140.
Haesbaert, R. (2010). Território e região no desafio dos conceitos para uma política de ordenamento territorial. In A. Coelho Neto, E. Santos, & O. Silva (Eds.), (Geo)grafias dos movimentos sociais. UEFS.
Leite, C. (2015). A projeção anfíbia no apoio à política externa: Construindo parcerias no Atlântico Sul. Revista Marítima Brasileira, 135(3), 79–85.
Lidarev, I., & Pant, H. (2022). India and maritime governance in the Indian Ocean: The impact of geopolitics on India’s involvement in maritime governance. Contemporary South Asia, 30(2), 269–286.
Mahan, A. (1891). Influence of sea power upon history, 1660–1783. Little, Brown and Company.
Marconi, M. A., & Lakatos, E. M. (2003). Fundamentos de metodologia científica (5ª ed.). Atlas S.A.
Mattos, L., & Câmara, P. (2020). A ciência antártica como ferramenta geopolítica para o Brasil. Revista Marítima Brasileira, 140(1), 15–23.
Moffat, I. (2001). Corbett: A man before his time. Journal of Military and Strategic Studies, 4 (1), 10–35.
O’Lear, S. (2020). Environmental geopolitics: An introduction to questions and research approaches. In S. O’Lear (Ed.), A research agenda for environmental geopolitics. Edward Elgar Publishing.
Oliveira, L. (2019). Geopolítica ambiental: A construção ideológica do desenvolvimento sustentável (1945–1992). Editora Autografia.
Ramutsindela, M., Guyot, S., Boillat, S., Giraut, F., & Bottazzi, P. (2020). The geopolitics of protected areas. Geopolitics, 25(1), 240–266.
Schottli, J. (2015). Power, politics and maritime governance in the Indian Ocean. Routledge.
Silva, A. (2014). O Atlântico Sul na perspectiva da segurança e da defesa. Revista Marítima Brasileira, 134(3), 41–55.
Soares, M., Azevedo, D., & Mesa, M. (2023). Geopolítica olímpica posguerra fría: Conflictos territoriales reflejados y reforzados en los Juegos Olímpicos. Geopolítica(s), 14(1), 91–115.
Sumida, J. (1999). Alfred Thayer Mahan, geopolitician. The Journal of Strategic Studies, 22, 36–62.
Till, G. (2018). Seapower: A guide for the twenty-first century. Routledge.
Till, G. (1999). Sir Julian Corbett and the twenty-first century: Ten maritime commandments. In A. Dorman, M. Smith, & M. Uttley (Eds.), The changing face of maritime power. Palgrave Macmillan.
Ventura, V. (2020). Environmental jurisdiction in the law of the sea: The Brazilian Blue Amazon. Springer.
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2025 Matheus Del Rosso, Daniel Abreu de Azevedo, Anderson Costa dos Santos

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-CompartirIgual 4.0.


